EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As iniciativas referentes a uma preocupação mais efetiva com o desenvolvimento sustentável surgem ao longo da década de 1960. Em 1966, o industrial italiano Aurelio Peccei e o cientista escocês Alexander King promoveram uma reunião de líderes mundiais para discutirem a política e a economia internacional como base para o potencial de crescimento contínuo das nações. Entre os vários aspectos discutidos, atenção especial foi dedicada ao meio ambiente e às condições necessárias para garantir tal padrão de desenvolvimento.
Uma decisão tomada nessa reunião foi a contratação da cientista estadunidense Donella H. “Dana” Meadows para chefiar um grupo de pesquisadores do Massachussets Institute of Technology. Esse grupo recebeu a incumbência de usar modelos matemáticos para prever a direção dos parâmetros contribuintes ao crescimento mundial. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em 1972, no relatório Limites do Crescimento (MEADOWS et al., 1972). No relatório os pesquisadores revelam a conclusão de que, mesmo considerando potenciais avanços tecnológicos, o planeta não suportaria o crescimento populacional em andamento, devido a pressões exercidas sobre os recursos naturais e energéticos, e ao aumento da poluição.
O impacto deste relatório foi considerável em todas as áreas do conhecimento. Uma das conseqüências foi a criação pelas Nações Unidas, em 1983, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Após múltiplas discussões em grupos de estudo, esta comissão publicou, em 1987, o relatório Brundland, no qual se definiu o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo “um conceito sistêmico que se traduz num modelo de desenvolvimento global que incorpora os aspectos de um sistema de consumo em massa no qual a preocupação com a natureza, via de extração de matéria prima, é máxima” (BRUNDTLAND et al., 1987).
Desde então, o conceito de desenvolvimento sustentável tem evoluído, como resultado dos avanços tecnológicos e da conscientização das populações sobre os desafios inerentes ao assunto. Atualmente, a definição mais ampla estabelece que o desenvolvimento sustentável procura atender às necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Assim, o conceito se expande para incluir o reconhecimento de que, um desenvolvimento sustentável oferece às pessoas as condições, agora e no futuro, de se atingir um nível satisfatório de desenvolvimento econômico e social, e de realização humana e cultural, enquanto fazendo um uso aceitável dos recursos da terra preservando o meio ambiente (MORETTO; GIACCHINI, 2016). Desta maneira, o conceito estabelece um ponto de equilíbrio entre o crescimento econômico, a equidade social e a proteção ao meio ambiente (UNITED NATIONS DIVISION FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT, 2001).
No princípio, três dimensões foram identificadas como constituintes de um tripé de suporte do desenvolvimento sustentável, i.e., sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e sustentabilidade sociopolítica (BRUNDTLAND et al., 1987). Esta concepção inicial já projetava a necessidade da existência de um equilíbrio entre esses três pilares, que necessariamente devem estar presentes numa mesma intensidade, no processo de promoção do desenvolvimento sustentável, para que o resultado final seja efetivamente alcançado.
A sustentabilidade ambiental foi conceituada como a dimensão que envolve a manutenção das funções e componentes dos ecossistemas, de modo sustentável (UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 1997). A sustentabilidade econômica, por outro lado, foi entendida como sendo relativa ao conjunto de políticas e medidas que visam integrar metas ambientais e sociais às metas tradicionais de valia econômica. Assim, a concepção inicial propunha que a medição do lucro deveria ser feita nas vertentes financeira, ambiental e social, e assim potencializando a exploração sustentável dos recursos naturais, sejam minerais, vegetais ou energéticos, e humanos (II PRECONEA, 2015; DE LUCA et al., 2014). Finalmente, a sustentabilidade sociopolítica foi presumida como centrada na promoção do equilíbrio entre o desenvolvimento social, o desenvolvimento socioeconômico e o desenvolvimento sociopolítico.
A consciência da urgência das necessidades humanas no globo e a compreensão da abrangência das dimensões do desenvolvimento sustentável levaram as Nações Unidas à proposição de dois grandes planos, i.e., As Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM) e a Agenda 21. As MDM foram apresentadas na Declaração do Milênio firmadas e adotadas pelos 191 Estados membros em setembro do ano 2000. Esse compromisso foi formalizado em oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que deveriam ser alcançados até 2015: Erradicar a extrema pobreza e a fome; Universalizar o acesso ao ensino básico; Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres; Reduzir a mortalidade na infância; Melhorar a saúde materna; Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; Garantir a sustentabilidade ambiental; Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento (PNUD, 2014).
Em 2014, a Organização das Nações Unidas reiterou a noção central do desenvolvimento humano, quando produziu documentação reportando que “o conceito de desenvolvimento humano nasceu definido como um processo de ampliação das escolhas das pessoas para que elas tenham capacidades e oportunidades para serem aquilo que desejam ser. Diferentemente da perspectiva do crescimento econômico, que vê o bem-estar de uma sociedade apenas pelos recursos ou pela renda que ela pode gerar, a abordagem de desenvolvimento humano procura olhar diretamente para as pessoas, suas oportunidades e capacidades. A renda é importante, mas como um dos meios do desenvolvimento e não como seu fim. É uma mudança de perspectiva: Com o desenvolvimento humano, o foco é transferido do crescimento econômico, ou da renda, para o ser humano” (PNUD, 2014).
Em meados de 2014, o Quinto Relatório Nacional referente ao desempenho do Brasil em cada objetivo do MDM mostra que o país alcançou sucessos expressivos em muitos objetivos embora ainda tenha muitos desafios (PNUD, 2014).
REFERÊNCIAS
BRUNDTLAND, G. et al., Our Common Future: Report of the World Commission on Environment and Development (WCED). New York: United Nations, 1987.
DE LUCA, M.M.M et al., Analise da Produção Cientifica Referente á Tematica de Sustentabilidade em Pesquisas da Administração, Administração: Ensino e Pesquisa, 15:3 (Julho-Setembro 2014) 469-500.
II PRECONEA (II Pré-Conferência Nacional do Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Relatório Final, O Conceito de Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável, 7/11/2015. Disponível em www.catalisa.com.br. Acesso em 15/05/2018.
MEADOWS, D. et al., The limits of growth. New York: Universe Books, 1972.
MORETTO, C.F. &, Giacchini, J., Do Surgimento da Teoria do Desenvolvimento à Concepção de Sustentabilidade: Velhos e novos enfoques rumo ao desenvolvimento sustentável. Disponível em: www.ecoeco.org.br. Acesso em 15/05/2018.
PNUD (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO), Os Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio, 2014. Disponível em: www.pnud.org.br/odm.aspx. Acesso em 15/05/2018.
PNUD. Acayaba, C. & Oliveira, M. (2013). Pnud muda metodologia do Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal, G1 Brasília. Disponível em:
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/07, acesso 13/08.
UNITED NATIONS DIVISION FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. Background Paper no. 13, 2001.
UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY (US EPA), Terms of Environment, EPA 175-B-07-001, December 1997).

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